O que é o Work and Travel
O Work and Travel é um programa de intercâmbio cultural regulamentado pelo governo dos Estados Unidos, vinculado ao visto J-1 (Exchange Visitor Visa). Ele foi criado para promover o intercâmbio cultural entre jovens de diferentes países e estudantes americanos — por isso, legalmente, não é apenas um programa de trabalho, mas uma experiência cultural oficial.
Na prática, o participante trabalha em um emprego temporário durante o verão americano (junho a setembro), recebe salário em dólar, tem moradia frequentemente subsidiada pelo empregador e ainda dispõe de um período de grace period — cerca de 30 dias após o término do contrato — para viajar pelos EUA antes de retornar ao Brasil.
Os empregos mais comuns ficam em resorts, parques nacionais, hotéis, parques de diversões e atrações turísticas espalhados por todo o território americano. Destinos como Yellowstone, Myrtle Beach, Cape Cod e Orlando são tradicionais entre os participantes brasileiros.
Quem pode participar
Os requisitos do Work and Travel são definidos pelo Departamento de Estado americano e pelas agências credenciadas que operam o programa no Brasil. Para se candidatar, o participante precisa atender a todos os critérios abaixo:
- Estar regularmente matriculado em curso de graduação em universidade brasileira reconhecida pelo MEC
- Ter entre 18 e 28 anos de idade
- Comprovar nível intermediário de inglês — equivalente a B1 no CEFR ou acima
- Não ter concluído a graduação antes do início do programa
- Não ter histórico de negativa de visto americano (casos específicos podem ser analisados)
Estudantes de faculdades privadas, federais e estaduais são elegíveis. Não há restrição por curso — engenharia, administração, letras, medicina veterinária — qualquer graduação em andamento serve.
Como funciona na prática
O processo do Work and Travel tem etapas bem definidas e, quanto antes você começar, maiores as chances de garantir uma boa vaga de emprego. O ciclo anual começa em agosto e setembro do ano anterior ao intercâmbio.
Etapas do processo
- Escolha da agência — a agência brasileira credenciada vai intermediar o processo, ajudar na documentação e dar suporte durante o programa
- Candidatura e entrevista — você passa por uma entrevista em inglês para avaliar o nível do idioma e adequação ao programa
- Job placement — você é apresentado a empregadores americanos participantes. Pode ser um processo de seleção (você escolhe e o empregador aprova) ou direcionamento pela agência
- Documentação e DS-2019 — com o emprego garantido, a agência emite o formulário DS-2019, essencial para a solicitação do visto J-1
- Entrevista consular — você agenda e comparece à embaixada americana para a entrevista de visto. A taxa é de USD 185
- Viagem e check-in — com o visto aprovado, você viaja, chega no destino e começa a trabalhar
Quanto custa o Work and Travel
O custo total do programa vai além da taxa da agência. Existem despesas obrigatórias e opcionais que precisam ser planejadas com antecedência. A boa notícia é que a maioria dos participantes consegue se pagar durante o programa — e ainda voltar com uma reserva.
| Item | Custo estimado (R$) | Observação |
|---|---|---|
| Taxa do programa (agência) | R$ 3.500 – R$ 6.000 | Varia conforme a agência e pacote |
| Taxa de visto J-1 (SEVIS) | R$ 1.000 – R$ 1.200 | USD 185 + taxa SEVIS USD 35 |
| Passagem aérea | R$ 3.500 – R$ 6.000 | Varia por data e destino |
| Seguro viagem | R$ 800 – R$ 1.500 | Obrigatório. Alguns pacotes incluem |
| Reserva financeira inicial | R$ 2.000 – R$ 4.000 | Para os primeiros dias até o primeiro salário |
| Total estimado | R$ 10.000 – R$ 18.000 | Antes de qualquer ganho no programa |
Quanto dá para ganhar durante o programa
O salário varia bastante por empregador, região e tipo de trabalho. A média gira entre USD 10 e USD 15 por hora, com carga horária de 32 a 40 horas semanais. Em locais com gorjeta (restaurantes e hotéis), os ganhos podem ser consideravelmente maiores.
Em quatro meses de programa, um participante trabalhando em período integral pode acumular entre USD 4.000 e USD 8.000 brutos. Descontando moradia (quando não é subsidiada), alimentação e gastos pessoais, é comum voltar com uma reserva entre R$ 5.000 e R$ 20.000 dependendo do controle financeiro.
Como conseguir um bom emprego
A qualidade do emprego impacta diretamente a experiência — e o quanto você vai ganhar. Existem basicamente dois caminhos para conseguir o job placement no Work and Travel:
Job Fair (Feira de Empregos)
As job fairs são eventos presenciais ou online onde candidatos e empregadores americanos se encontram para entrevistas. O candidato apresenta seu currículo em inglês, passa por uma entrevista rápida e, se aprovado, recebe uma oferta de emprego. É o caminho mais recomendado porque permite escolher o destino e o tipo de trabalho.
Job Placement pela agência
Nessa modalidade, a agência brasileira indica um empregador parceiro sem que o candidato passe pelo processo de seleção ativo. É mais simples, mas o participante tem menos controle sobre destino e função. Indicado para quem está com pouco tempo ou tem menos confiança no inglês.
O visto J-1: o que você precisa saber
O visto J-1 é o documento que autoriza a participação no Work and Travel. Ele é emitido pelo governo americano e tem validade para o período do programa. A entrevista consular é uma etapa obrigatória — não é possível pedir o visto de forma remota.
Para a entrevista, você precisará levar:
- Passaporte válido por pelo menos seis meses após o retorno
- Formulário DS-160 preenchido online
- Formulário DS-2019 emitido pela agência
- Comprovante de pagamento da taxa SEVIS (I-901)
- Comprovante de matrícula universitária
- Comprovante de vínculo empregatício (o job offer)
- Comprovante financeiro (extrato bancário dos últimos três meses)
A taxa de aprovação do visto J-1 para brasileiros é historicamente alta — superior a 95% quando a documentação está completa. O prazo de resposta varia de horas a alguns dias úteis.
O que esperar da experiência
O Work and Travel é frequentemente descrito por ex-participantes como uma das experiências mais transformadoras de suas vidas — e também como uma das mais desafiadoras. Trabalhar em outro país, em outro idioma, sem a estrutura de casa, exige adaptação real.
O inglês evolui com velocidade maior do que qualquer curso presencial porque o uso é constante e com falantes nativos. A convivência com pessoas de dezenas de países diferentes, o ritmo americano de trabalho e a autonomia financeira são aprendizados que vão muito além do idioma.
Quem entra no programa bem preparado — com inglês funcional, planejamento financeiro e expectativas realistas sobre o trabalho — sai com uma perspectiva diferente sobre carreira, dinheiro e possibilidades internacionais.
Perguntas frequentes
Posso fazer o Work and Travel sem falar inglês?
Não. O inglês intermediário é requisito formal do programa e será avaliado na entrevista com a agência e na entrevista com o empregador americano. Participar sem inglês funcional compromete o desempenho no trabalho e a experiência geral.
O empregador paga a passagem e a moradia?
Alguns sim, outros não. Muitos empregadores — especialmente em resorts e parques — oferecem moradia subsidiada no local de trabalho, com desconto no salário. Passagem aérea raramente é incluída. Confirme as condições antes de fechar o emprego.
Posso renovar o visto e ficar mais tempo nos EUA?
Não. O visto J-1 do Work and Travel é específico para o período do programa e não é renovável para esse fim. Permanecer após o prazo é ilegal e pode gerar impedimento de visto futuro.
Quando devo começar o processo?
O ideal é iniciar entre agosto e outubro do ano anterior ao intercâmbio. Quem começa no início tem acesso às melhores vagas de emprego e mais tempo para organizar a documentação sem pressa.